terça-feira, 8 de junho de 2010

Camponês constrói canhão para evitar expropriação de terras na China

Publicado em 08/06/2010 - UOL

Um camponês chinês na Província de Hubei (centro do país) construiu um canhão caseiro com um carrinho de mão, encanamentos e fogos de artífio para afugentar as autoridades que querem expropriar suas terras, o que já conseguiu fazer duas vezes, segundo um jornal da região.

Segundo o "Diário Comercial do Yang Tsé", Yang Youde usou com artilharia caseira e lançou seus tiros de canhão, conseguindo assim fazer com que os funcionários do governo local que visitaram o local tenham fugido duas vezes desde o início do ano.

Yang, que vive em um distrito rural nos arredores da capital provincial, Wuhan, não quer abandonar uma área de 16 mil metros quadrados na qual cultiva algodão e árvores frutíferas e cria vacas e peixes.

Na China, todas as terras, sem exceção, são de propriedade estatal, mas o governo as dá em usufruto. No caso de Yang, o contrato será válido até 2029, segundo o jornal.

No entanto, como ocorre muitas vezes na China, o Governo local decidiu expropriar terras para realizar um projeto imobiliário ou industrial, oferecendo uma compensação que, segundo Yang, é insuficiente.

O canhão fabricado pelo camponês pode lançar projéteis a uma distância de 100 metros, e, segundo autoridades locais, poderia custar a Yang entre 10 e 15 dias de prisão, proque a lei nacional proíbe a fabricação e o uso de explosivos sem licença.

A história de Yang lembra casos ocorridos em anos anteriores, quando proprietários de casas na China se agarravam a elas com unhas e dentes durante semanas ou inclusive meses apesar de pressão das autoridades.


Comentário:

Na China, embora somente 250 milhões, do total de 1,3 bilhão, de habitantes sejam dotados de propriedade privada e detenham o direito de titularizar ativos no setor privado, o país apresenta taxa de crescimento real de 10% a.a, e a conclusão a que chega Hernando De Soto, por exemplo, sobre esse fato é: "os, relativamente, poucos têm sustentado 10% de crescimento real, enquanto que o bilhão restante da população não faz parte do sistema legal".

Vale dizer, 20% da população fazem com que o crescimento econômico da China seja de 10%. A questão, então, passa a ser não retirar a propriedade desses 20%, mas, ao reverso, fazer com que os outros 80% (ou a maior parte disso) tornem-se, também, proprietários.

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