quarta-feira, 6 de maio de 2009

EUA aprovam vínculo entre Google e Apple?

Reuters

NOVA YORK - Parece que o Google não consegue sair do centro das atenções do governo americano.

No ano passado, a possível parceria em publicidade com o Yahoo! gerou preocupações relacionadas com a suspeita de que o Google estava perto de criar um monopólio imbatível no mercado de anúncios online. Desde então, o governo americano vem observando atentamente cada detalhe das operações da companhia.

Agora, de acordo com o New York Times, a Comissão Federal de Comércio (FTC) está investigando se o fato de Eric Schmidt, CEO do Google, participar do conselho de administração da Apple contraria leis americanas.

O regulamento para este caso recebe o nome de Clayton Act, um estatuto raramente mencionado que proíbe executivos de serem membros da diretoria de duas empresas diretamente rivais. O Clayton Act não é normalmente citado porque homens como Schmidt integram frequentemente mais de um conselho administrativo e, na maioria das vezes, essa presença simultânea não afeta a competição entre as empresas.

No mundo da tecnologia, esse tipo de lealdade é praticamente inevitável. Conforme o Times ressalta, o Google e a Apple são constantemente rivais e parceiros.

Entretanto, à medida que o Google tenta aumentar suas fontes de receita, essa política de não-intervencionismo deve acabar. Para que o Clayton Act seja aplicado ao caso, os mercados em que as duas competem diretamente precisam responder por mais de 2% das vendas totais de cada uma das companhias.

O navegador Chrome, do Google, é rival direto do Safari, da Apple, e o Android não é somente um concorrente do iPhone, como também será inevitavelmente utilizado em netbooks e vai concorrer com os notebooks da Apple. O crescimento da participação de mercado do Google nessas áreas torna a presença de Schmidt no conselho da Apple ilegal.

É possível que o apoio de Eric Schmidt a Barack Obama durante as eleições não tenha levado a nada relevante, mas, honestamente, qual retribuição ao auxílio de um dos mais importantes CEOs do mundo é melhor do que uma discreta suspensão da lei?

Como prevê Brendon Slattery, da PC World, essa nova investigação certamente não levará a nada. “Digamos que a Apple e o Google sejam repreendidos”, ele escreve, “Qual seria a pior das consequências? Eric Schmidt (...) deixará de participar de um dos conselhos e o problema desaparecerá.”

Na verdade, essa é a confirmação de que o Google está invadindo o mercado de browsers e smartphones. Não há nada como uma investigação federal para provar que você oficialmente já faz parte do show.

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