sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

'Times' aponta SP como nova capital de negócios

Quinta, 6 de dezembro de 2007, 8h43

Fonte: BBC Brasil
Economia Internacional
'Times' aponta SP como nova capital de negócios

O potencial do Brasil para o estabelecimento de grandes empresas e, em especial, as vantagens oferecidas por São Paulo, são destacadas nesta quinta-feira em uma longa reportagem do jornal britânico The Times, parte de uma série que apresenta as principais cidades do mundo para se fazer negócios.
Já foram incluídas na série Madrid, na Espanha; Varsóvia, na Polônia; Reykjavik, na Islândia; e Budapeste, na Hungria. "O Rio pode ser a meca dos turistas, mas a maior cidade do Brasil é sua casa para grandes negócios. Se você quer ser global, o que está esperando?", pergunta a reportagem, publicada na secção de negócios do jornal.
Entre os dados que mostram a força de São Paulo, o artigo lembra que é lá que fica o maior mercado de ações da América Latina, embora "o Rio tenha o carnaval e as garotas de Ipanema". A reportagem fala ainda dos sucessos da economia brasileira, dizendo que o real, "teve uma valorização de mais de 100% frente ao dólar durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e parece que vai se fortalecer ainda mais em 2008".
Ele ressalta, contudo, que a própria comunidade empresarial de São Paulo admite que a imagem da cidade projetada no mundo não corresponde, ainda, ao seu potencial.
Marcelo Vivieros de Moura, do escritório Pinheiro Neto Advogados, admite, ouvido na reportagem, "admite que o país nunca foi bom em se vender, apesar de uma ampla gama de privatizações em oferta e crescentes oportunidades para parcerias público-privadas". Segundo o Times, Moura contou que achou "inapropriado" quando "recentemente, em uma feira comercial, o estande brasileiro estava servindo caipirinha entre cartazes de mulheres nuas".
"Privadamente, líderes empresarias brasileiros de destaque se preocupam sobre por que o país recebeu menos atenção do que Índia, China e Rússia, seus mercado emergentes rivais", diz a reportagem.
Depois de relatar o sucesso da experiência do banco HSBC no Brasil, "a companhia britânica com a maior operação" no país, a reportagem do Times alerta os empresários para algumas peculiaridades do Brasil para negócios.
"Há alguns truques para se fazer bons negócios no Brasil, tais como desenvolver um gosto por cafezinho." Segundo o jornal, Francisco Itzaina, que está à frente da Rolls-Royce no Brasil, disse que "se você assina um contrato e alguma coisa dá errado, em algumas partes do mundo Ocidental os advogados começam a trabalhar. No Brasil, os homens de negócios se reúnem e formulam a solução mais pragmática. Aqui, dar murro na mesa não funciona. Uma boa conversa no café vai muito mais longe". Os paulistanos estão cientes das dificuldades de se investir no Brasil, diz a reportagem do Times.
"O processo legislativo e judiciário são dolorosamente lentos. Leva cerca de 180 dias para se estabelecer uma empresa em São Paulo e anos para fechar. Questões fiscais podem ser complexas com mais de 50 impostos para empresas só em São Paulo. Muito menos gente fala inglês do que, por exemplo, na Índia", diz o jornal.


Comentários: ainda bem que não entrou em discussão, pelo menos aqui, aspectos ligados a criminalidade. Falar em proteção de direitos de propriedade começa pelo bom e velho Código Penal. Não se trata de proteger a "burgesia". A literatura está demonstrando que a proteção da propriedade privada traz benefícios coletivos, até para os "menos favorecidos". A China "comunista" que o diga.

Um comentário:

Francisco Kümmel Alves disse...

No ranking das cidades globais, de responsabilidade da GaWC (Loughborough University, Liverpool) São Paulo figura na 14ª posição.

Nesse ranking são apontados como pontos fracos da capital paulista a poluição, o trânsito (a mão-de-obra qualificada que uma cidade global exige põe a qualidade de vida no topo de suas aspirações e isso levaria a uma fuga de capital humano de qualidade) e, principalmente, a violência.

Saskia Sassen (Columbia University e London School of Economics) assevera que São Paulo se encontra em uma situação limite, precisando inovar na governança urbana, e que as maneiras antigas e burocráticas não darão conta da tarefa.

Muito interessante é que, em consonância à afirmação do Prof. Luciano, ela afirma que o maior desafio dessas cidades globais atualmente é a disputa pelo espaço urbano, e que aqui (Brasil) essa disputa ganha contornos de uma guerra urbana esporádica.

Extraído da Revista Exame, edição 907.