segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Governo da Bolívia pede calma após mortes em protesto

O ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, pediu calma neste domingo e disse que o presidente do país, Evo Morales, está "muito preocupado" com a violência que já deixou pelo menos dois mortos e centenas de feridos em Sucre.
Nos últimos três dias, Sucre vem sendo palco de confrontos entre a polícia e manifestantes que se opõem à aprovação em primeira instância pela Assembléia Constituinte, de uma nova Constituição.
As mobilizações começaram na sexta-feira, em rechaço à decisão da base do governo de instalar a Assembléia Constituinte em um colégio militar e aprovar a nova Carta Magna sem a presença da oposição.
As autoridades afirmaram ter tentado controlar os protestos que se seguiram à sessão utilizando apenas cacetetes e bombas de gás lacrimogêneo. O advogado Gonzalo Durán, de 29 anos, morreu nos confrontos, ferido por um tiro. O ministro Alfredo Rada, no entanto, afirmou que não foi usada munição letal pelas tropas de choque.
Neste domingo, o comandante da Polícia Nacional, Miguel Vásquez, afirmou que o policial Jhimmy Quispe morreu em conseqüência de um linchamento por uma multidão em Sucre.
No sábado, milhares de cidadãos que exigem o traslado da sede do governo para Sucre saíram às ruas e se dirigiram ao local da sessão constituinte, cercada de policiais, militares e de camponeses que haviam chegado de várias partes do país para apoiar o governo e a Assembléia.
Para conter os manifestantes e evitar um confronto entre os grupos rivais, os policiais e militares tiveram que lançar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Dentro do colégio militar, os representantes do governo analisavam a demanda pela transferência a Sucre do Executivo e do Legislativo, que hoje funcionam em La Paz.
A Assembléia não aprovou o traslado desses poderes, mas estabeleceu a transferência à cidade da Corte Nacional Eleitoral, com o nome de "quarto poder do Estado". Outro poder, o Judiciário, já funciona hoje em Sucre.
Dos 255 representantes eleitos para a Assembléia Constituinte, apenas 138 estavam presentes, todos aliados ao governo. Desses, 136 votaram pela aprovação geral do texto.
Até o dia 14 de dezembro, quando vence o prazo da Assembléia Constituinte, ela ainda deve analisar os artigos da nova Carta em detalhe antes de submeter o texto a um referendo popular.
O texto aprovado no sábado estabelece um Estado plurinacional (com respeito às diferentes etnias e culturas), a possibilidade de reeleição do presidente da República, a autonomia das populações indígenas e um Estado comunitário.
A oposição rechaçou a forma como o partido de Evo Morales aprovou a Constituição e recomendou uma desobediência civil ao novo texto.
O líder da oposição e ex-presidente Jorge Quiroga disse que "é uma verdadeira vergonha" o que ocorreu em Sucre e pediu a intervenção de organizações internacionais no país.


Comentários: os países andinos da América Latina estão com sérios problemas. É Venezuela, Equador e Bolívia. As constituições estão sendo "reformadas" para garantir reeleições e garantidas à força por parte da população que se apropriou do Estado. Num mundo globalizado e capitalista é uma estratégia equivocada. A União Soviética não existe mais para ajudar e a China há muito tempo deixou de ser comunista. Não ajudará governos "revolucionários" à direita, à esquerda ou ao centro. A Venezuela ainda se salva com o Petróleo. Mas e a Bolívia, vai querer enriquecer as custas da Petrobrás e do consumidor brasileiro...é a dúvida que fica, pois ao que parece o gás não tem viabilidade técnica de exportação para fora da AL.

2 comentários:

Francisco Kümmel Alves disse...

Estes países deveriam se pautar em exemplos como o de Cuba e, principalmente, da Coreia do Norte, que com essa "estratágia" de isolacionismo levou seu povo à miséria e fome intensas, a condições de vida desumanas.

Tiago Faganello disse...

Parece que os referidos países estão se dirigindo ao colapso, a tradicional ditadura latinoamericana baseada no populismo.... Sem dizer que os objetivos destes governos têm colocado fim a liberdade.