sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A trilha do crescimento I

A Revista Exame, da corrente quinzena, em longa exposição, faz uma série de reportagens e artigos nos quais demonstra a mudança ocorrida no Brasil nos últimos 40 anos, principalmente em termos econômicos. Em certa altura, assevera que a sociedade brasileira, nesse período, deixou de ser rural para se tornar industrial e de serviços. Entretanto, tendo em vista o contexto global, o desafio é ir mais além: “transmutar esta sociedade na qual vivemos numa economia não mais baseada em máquinas, mas em informação”.

Nesse pequeno excerto é possível vislumbrar os três estágios do desenvolvimento da produção: a) produção em quantidade; b) produção em quantidade aliada à qualidade e; c) produção em quantidade e qualidade juntamente com criatividade.

Robert Cooter, Hans-Bernd Schäfer e Luciano Timm, em artigo intitulado “Menos é mais” (http://services.bepress.com/lacjls/vol1/iss1/art10/), aduzem que os referidos estágios do desenvolvimento da produção correspondem aos três estágios do desenvolvimento econômico: a produção em quantidade não requer elevado grau técnico de mão-de-obra, vez que não vislumbra qualidade nem produtos diferenciados, exigindo apenas reprodução – isso corresponde, geralmente, ao primeiro estágio de industrialização de um país pobre. Com o aumento da renda, investimentos em educação podem ser feitos e, via de conseqüência, melhoria na mão-de-obra, tornando possível a passagem, sem abandonar a quantidade, para a produção em qualidade. O potencial para auferir renda é maior e, da mesma forma, maior pode ser o investimento em educação, instrução e treinamento da mão-de-obra, chegando, assim, a um estágio de criação – inovação.

Gary Becker, Prêmio Nobel de economia, refere em artigo, o qual consta da mesma edição da Revista Exame, corroborando o ensaio de Cooter, Schäfer e Timm, que, para se criar a base do desenvolvimento, três aspectos são fundamentais e dentre eles coloca o capital humano, significando “educação, treinamento e motivação para os empregados”. Mais adiante, no referido texto, assevera que o Brasil melhorou muito em relação a si mesmo, mas deixou se fazer muito se comparado com outros países em desenvolvimento. Por exemplo, diz que “o país foi tido durante 100 anos como de grande potencial, mas não conseguiu desenvolvê-lo plenamente. Ficaram faltando pelo menos dois fatores importantes. Em primeiro lugar, poderia ter feito mais para educar com qualidade a sua população...”. A título de exemplo, em termos de analfabetismo, 11% das pessoas não sabem ler e escrever no Brasil, índice acima da média do conjunto de países da América Latina e do Caribe, de 9%.

Resulta demonstrado que a educação é ponto fulcral na evolução dos estágios do desenvolvimento da produção, a qual culmina na inovação. A importância da inovação se dá pelo seguinte: além de gerar maior bem-estar social, principalmente no que toca ao consumidor, promove o crescimento econômico, vez que o surgimento, por exemplo, de um novo processo de produção, é capaz de elevar o nível de produção, com um custo inferior. Ensejando maior produtividade, pode gerar mais emprego e mais emprego gera mais renda; ainda, pode gerar maior volume de transações no mercado, gerando maior arrecadação ao Estado, que pode reverter essa renda, por exemplo, em... educação.

Continua abaixo...

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